quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Aprendi....que ninguém é perfeito,
enquanto não te apaixonas.
Aprendi....que a vida é dura,
mas eu sou mais que ela!!
Aprendi que...quando te importas com rancores e amarguras,
a felicidade vai para outra parte.
Aprendi que...devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.
Aprendi que... não posso escolher como me sinto...
…mas posso sempre fazer alguma coisa.
Aprendi que...quando o teu filho, recém-nascido, segura o teu dedo na sua mão,
têm-te preso para toda a vida.
Aprendi que...todos querem viver no cimo da montanha...
…mas toda a felicidade está durante a subida.
Aprendi que... temos que gozar da viagem,
e não apenas pensar na chegada.
Aprendi que...o melhor é dar conselhos só em duas circunstâncias...
quando são pedidos e quando deles depende a vida.
Autor desconhecido

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


..." Poisa as mãos nos meus olhos, com carinho,
Fecha-os num beijo dolorido e vago...
E deixa-me chorar devagarinho..."

Florbela Espanca

terça-feira, 22 de dezembro de 2009


DERRADEIRA DESPEDIDA

Passam dias, não o tempo,
Congelado em mim o momento,
Em que a minha alma vazia,
Encontrou preenchimento.

Agora, perdida nesse ensejo,
Sem tino, sem alento,
Procura encontrar no fortuito,
O afago de um entendimento…

Que, de entre os ápices vividos,
E as vivências perdidas,
Sobeje um, pequeno que seja,
Na derradeira despedida…

Manela

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

Florbela Espanca
Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca
Sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Prisioneira feliz...


… sonhos desfeitos em bruma de mar,
vão e voltam em dança perpétua.
Cerro os olhos e deixo-me arrebatar …
... areia de praia cativa em espuma de mar…
… legados de perfumes de Vida.
Ali, deixo a minha alma saciar a sua sede…
A amarra que prende minhas asas,
submete-me ao regresso…
… do Tudo para o que me é permitido.
Assim, volto a despertar…
Cerro meus olhos e vou até lá…
… onde a espuma de mar,
inunda meu Ser de perfumes de Vida…
Regresso, de Alma impregnada de cheiro a saudade…
… que de mim faz prisioneira feliz.
Aqui fico, até Desejares…
Manela
A vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo <>,
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.
A gente esquece sempre o bem de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

Florbela Espanca

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
Luís de Camões

terça-feira, 20 de outubro de 2009

QUE FIZ EU? - 20/10/09

Que fiz eu?
Que raízes deixei cravar em mim?
Nesse jardim…
… oásis da minha Alma…
Desvão da luz que ainda sou…
Agora desnudado,
perde o encantamento.
Exposto… perece.
Jardim de terra árida…
… flores de Dores…
…desalento de Vida.
Jaz, agora, esquecido…
Por convenções devastado…
RAZÃO, erva daninha!
Estraçalhas a Alma,
o que, verdadeiramente, somos!
Para não sentir, não existir?
Que fiz eu?
Que raízes deixei cravar em mim?
… Peleja grotesca que hei-de vencer!
Manela

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


09/10/09
Sou…

Sou Nada…
De Alma impregnada,
do que não consinto libertar…
Encarcerada,
entre grades invisíveis,
geme de Dor...
Acorda o corpo que a prende,
liberta sofrer permanente,
ao dia que desponta.
Num bailar,
de encantamento doente…
… lento definhar…
A luz que sou,
perdi…
Embrenhada nesta cegueira,
luto para me afogar,
na sede de Viver!
Perder-me?
Encontrar-me?
O que tiver de ser…
Assim, sou Nada…
De Alma impregnada,
do que não consinto libertar…
Manela

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
...
... Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Mário de Sá-Carneiro

Ausência

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me trás a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice in Pedro, lembrando Inês

sexta-feira, 2 de outubro de 2009


A felicidade exige valentia.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas,
não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não termedo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Assim… 29/09/09


Despertei, gélida de saudade…
Os primeiros raios de sol procuravam aquecer-me, numa cumplicidade quase tangível.
Nos últimos tempos, tenho deixado uma serenidade aparente acompanhar os meus dias. À minha volta, gira a vida daqueles com quem partilho espaço… sinto que este meu “estar” aparente, lhes trouxe o que necessitavam e, de certa forma, isso tranquiliza-me…
… mas, dentro de mim, um turbilhão de emoções percorre-me, em busca de um ponto de fuga…
Longe desse nicho, liberto o Sentir, as amarras que prendem as minhas asas e voo…
Nesses breves momentos, uma força repleta de cor invade o meu Ser.
Ali!
É lá que desejava permanecer… sempre!
… mas “sempre” não me permito… irei até lá quantas vezes desejar…
... até mim.
A corda invisível que me amarra, guia-me de volta até Aqui…
Manela

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

INTERROGAÇÃO

INTERROGAÇÃO

Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-se roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!

Florbela Espanca

Mais um dia...

Mais um dia… - 27/08/09

Hoje, foi mais um daqueles dias que me trouxe, com o despertar, a sensação de ter o mundo às costas…
O peso era tal que me cravou à cama. Ainda tentei erguer-me, umas quantas vezes… virei-me para o lado, agarrei a almofada com força… ao mesmo tempo enroscava o meu corpo, num querer fechar a porta ao mundo…
O calor emanado dos lençóis, oferecia-me abrigo… a almofada que agarro contra o peito, num ritual diário preparativo para o ingresso no mundo inconsciente dos sonhos, oferecia-me amparo…
Ali fiquei… fechei os olhos, na tentativa de retornar a esse mundo. Esforço vão… num ápice, já a minha mente se povoava de pensamentos… preocupações, lembranças… e uma inquietude irrefreável invadiu-me o corpo.
Por mais que a minha vontade fosse permanecer ali, mais uns instantes, nada feito… Esse mundo “pesado” exigia a minha presença, no cumprimento das obrigações que me cabem… as minhas e, inevitavelmente, as de quem me é próximo.
Mais um dia “fugiu” sem me aperceber e de todos tinha “cuidado”… excepto de mim.
Mais um dia findo, onde não coube espaço para o meu EU… que grita por atenção, por mais ínfima que seja… já tão fragilizado pela minha constante ausência …
Encontro-me exausta de dias assim… contudo, brotam desenfreadamente…
Dias enfadonhos que me fazem sentir vazia… apesar do “dever cumprido”… que já não me basta…
Dias em que a melancolia me invade, amiúde, nos últimos tempos… companheira indesejada que tento arredar, com as forças que me restam, entre derrotas repetidas…
Não se anuncia… surge sorrateira…
...impele memórias que desejo ver longe e contra as quais mantenho constante luta, em estado de vigília, mas que me invadem a mente no mundo inconsciente dos sonhos.
A noite oferece um manto ao meu corpo, protegendo-o para o revigorar… mas também inflama, através dos sonhos, emoções e sentimentos abafados…
Mais um dia no “carrossel” da Existência Física trivial onde, quantas vezes, não remanesce espaço para a satisfação do Espírito…
Mais um dia que semeia em mim melancolia…
Manela

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

... No limite...


“Mas como ser possível viver aí? Como aguentar o excesso divino? Todo o limite é irrespirável – mesmo o do espasmo amoroso, como o da amargura violenta, ou o da violenta alegria.E no entanto, o mais doloroso do excesso não é talvez o que há nele de excessivo, mas sim o que há de instantâneo e de frágil. Porque se o homem é de mais para si, apenas nesse de mais ele é o homem verdadeiro.

”Vergílio Ferreira in Invocação ao meu corpo (Presença ausente)

domingo, 16 de agosto de 2009

Sem rumo... - 16/08/09


Sem rumo, perdida neste meu trilho espinhoso…
... e o Tempo, esse, persiste em arrastar-me brutalmente…
Estropiada e já sem forças, nada faço para travar este curso.
Rodopio, atordoada, na tempestade voraz que me arrebatou…
... presa na teia que a vida me fiou.
Exausta, já não ofereço resistência.
Sem razão aparente?... só de aparente tem…
Num Olhar turvado, desvitalizado, não encontro saída deste turbilhão, que me inflige suplício permanente…
Aguardo, serenamente, que a intempérie acabe por me desintegrar…
... transformar em grão de pó, da Terra que me moldou.
Lutar contra tamanho Poder?
Hoje, resigno-me… já não ofereço oposição.
Debati-me até a exaustão…
Desta Vida levo solidão, sofrimento e raríssimos momentos “felizes”... tão raros que se diluíram perante o todo.
A Esperança, que nos mantém, sucumbiu perante o peso da Dor.
Avisto, ao longe, a miragem da Manela sonhadora… a que lutava contra obstáculos…
... Sonhava, tinha Esperança… “alimento” da sua força…
Encetei um percurso sem alento...
Aqui, já nada sinto… não me inquieta o que possa advir…
... quando perdemos a Esperança, iniciamos o processo que leva ao fim…
Grande parte de mim já se encontra do outro lado...
Um Adeus é o que desejo a esta Vida…
... um “Adeus e ponto”.
Manela

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"Descalça"... - 10/08/09


Atravessei mais um caminho de alguém… foi tão breve… passou juntou de mim sem me encontrar…
Sentires comungados com alguém cuja identidade tem acompanhado o meu percurso - Florbela Espanca.
Naquele “ponto” da vida em que o remanescente do nosso caminho é cursado por nós, sob o nosso Livre Arbítrio, a nossa Consciência, a nossa Razão…
… Solitário…
Decidi palmilhá-lo “de pés descalços”, desprovida de resguardo que pudesse encobrir qualquer partícula que lhe pertencesse.
Essa foi a minha escolha: SENTIR a Vida na sua íntegra. Talvez por me ser fundamental esse “alimento”, para que esta Passagem faça algum sentido…
Se tivesse escolhido “calçar-me”, hoje não poderia dizer: ainda bem que decidi Sentir! Que bom é ter Vivências… TODAS!
Hoje sou “Assim”, não sei bem o quê… mas sei que quero continuar a caminhar “descalça”…
Manela

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Lágrimas - 05/08/09


… e dos meus olhos descem lágrimas
que não consigo controlar...
Descem pelo meu rosto,
em carícia delicada…
Carregam e transbordam Sentimentos,
Dor que a minha Alma já não sustenta…
… e nos meus olhos voltam a nascer,
mais e mais...
Cobrem o rosto, turvam a visão,
DEIXÁ-LAS SAIR!
Pois tanta Dor preciso libertar!
Inundam o corpo mas lavam a Alma,
DEIXÁ-LAS CAIR!
A nascente acabará por secar, um dia…
…para uma nova brotar.
DEIXÁ-LAS EXISTIR!
São testemunho de que Sentimos!
Rendo-me ao que de melhor e pior existe em mim – EMOÇÕES.
Quem vive sem as QUERER sentir, não conhecerá a FELICIDADE…
DEIXÁ-LAS VOLTAR!
…sempre.
Manela

Porque me fizeste assim? - 05/08/09


Dá-me as provas que Quiseres, mas toma-me no Teu colo, de quando em quando e enche o meu Ser com a Tua Energia, para que avance no trilho que me cabe seguir.
É tortuoso, sim… mas no sofrer Cresce o meu Ser e na dor encontro coragem para o percorrer, por desejar, na eternidade das existências, estar perto de Ti, um dia.
Tropeço muitas vezes, caio, desvio-me da “Estrada da Luz”…
Ser Humano, quão imperfeito és!
Somos o que quisermos ser. Uns escutam a “Voz” que existe em todos e seguem, confio, em Sua direcção.
Podemos escolher seguir por labirintos sem saída ou pelo curso que leva ao “Fim”.
Estar para Evoluir e Elevar ou sucumbir no abismo onde a Luz não consegue chegar…
Considero que a “Voz” não é apenas Razão. A “Voz” é cada um de nós e Ele, Espírito e parte do Todo… parte Dele.
Quem escuta a “Voz” e a respeita é bafejado pela Sua protecção, assim penso… como também penso que Ele quer a nossa felicidade Aqui.
Ser infeliz ou ser feliz?
De que lado me encontro?
Daquele que inflige permanente tortura… e em consciência cabe a mim deixar este lado, oposto ao que Ele me deseja.
De tanto exigir a mim, acabo por, sem querer, me perder em dor sem aparente fim… por tantas inquirições ao que Sou e ao que faço para Ser, talvez…
PORQUE ME FIZESTE ASSIM?
Por mais que me vasculhe, não encontro resposta à pergunta que fiz e sei que estou a pretender mais do que me é concedido conhecer…
Manela

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Em seguimento da última mensagem e já seca a minha fonte , aqui deixo, de alguém admirável:

" Maria das Quimeras me chamou
Alguém... Pelos castelos que eu ergui,
Plas flores de oiro e azul que a sol teci
Numa tela de sonho que estalou.

Maria das Quimeras me ficou;
Com elas na minh'alma adormeci.
Mas, quando despertei, nem uma vi,
Que da minh'alma, Alguém, tudo levou!

Maria das Quimeras, que fim deste
Às flores de oiro e azul que a sol bordaste,
Aos sonhos treslocados que fizeste?

Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?

Florbela Espanca

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ate já...


...não sei se voltarei aqui... já nada me diz nada... a fonte da minha inspiração secou...
Até um dia, talvez noutra existência...
Já não me inspiro nas palavras de alguém a quem desejo o melhor desta vida,
Manela

Ser - 06/06/09


Ser não é apenas estar é mudar.
Quantos apenas estão, sem saber nem querer saber o Fim de Ser.
Estes são do Ser, existência medíocre.
Serás também Ser que não o é?
Ou és Ser na corrente da existência que merece o dom de Ser?
Daquela que Dá sem querer nada, que Vê, que contribui para a harmonia do Todo.
…Ser vale a pena se Estar for do teu Nada para o Todo.
Manela

Leva-me daqui! - 03/08/09


Nos meandros desta existência me perdi… por não mais desejar o que não vivi, ou o que poderia viver, por não querer o Agora, tão pouco o amanhã…
Que saudades, meu Amor Maior, minha tia e mãe querida…
… já não tenho a segurança do seu colo, a força da sua existência física…… anseio, agora, por si ser recebida…
Vou caindo no abismo desta vida, sem oferecer resistência…
…“No meio do túnel da vida, anseio pela luz”.
Quero transpor esse véu translúcido que nos separa … o Aqui poderia ser Aí, se não me encontrasse presa nesta rude matéria .
Almejo por essa existência, onde os sentimentos Humanos não têm lugar…
Acredito em Ti, sei que não posso ir sem Teu consentimento… por isso Te peço, em total desespero, Leva-me daqui!
Não me faças sofrer mais deste lado, deixa-me fazê-lo aí, longe dos desejos Humanos que nos prendem e tornam menores… Seres inferiores da existência, que a condição da matéria não permite libertar.
Por favor, Leva-me daqui!
Manela

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Em breve... - 15/07/09


Em breve num lugar que ajudará a despertar Sonhos, a consolidar os que já existem e a Ver com nitidez.
Levo angústia por quem amo, saudades dos que ficam…
… esta será uma viagem com “volta”, por ser a mais real que já fiz.
Pelo que levo em mim e pelo que trarei ao regressar.
Serão momentos para reflectir, “arrumar” a minha “casa”… revestidos de emoções profundas, sentires reais.
…auxílio para transformar o Translúcido em Transparente.
Farei desta viagem uma Prova, por jamais deixar os meus sonhos “escaparem” por entre as mãos.
Deixar de Crer seria morte espiritual e espírito Acredito ser.
Sofrer é uma condição de Viver.
Até já, será a expressão, “ furtada” de alguém, que direi ao partir, aos que moram em mim e à Manela que, ultimamente, se deixou arrastar pelas mãos do Tempo.
A que regressar, dar-lhe-á apenas a mão, mas caminhará no sentido almejado por si.
Manela

terça-feira, 14 de julho de 2009

Atropelamento - 13/07/09


Se fosse supersticiosa, este dia teria a conotação que aqueles que o são lhe dariam.
Neste dia, não Me senti. Fui Nada e tudo à minha volta Nada foi…. sussurros repletos de trivialidades chegaram a agredir-me sem tomarem consciência e, provavelmente, sem intenção.
Não posso culpá-los da “ oferenda” que a Vida acabara de trazer até mim.
Violentamente estropiada pela Lei Natural da Vida, mais uma vez, num curto espaço de tempo…
… uma Mãe já perdi e parte de mim está com ela. Vou também perder a que subsiste?
Quando esta lei bate a porta de quem muito amamos, subitamente, tudo nos parece tão comum…
Cheguei mesmo a sentir asco do que comummente Fazemos, do que não Vê-mos, do que deixamos passar ao lado, quando trocamos o verdadeiro Existir pela “vidinha”.
Hoje, senti tudo o que não consigo transpor para esta forma de comunicar.
A possibilidade de perder a minha mãe, vorazmente arrebatou-me num misto de desespero e desdém.
Desculpem-me aqueles que hoje, estiveram comigo… mas não Vos Senti… quase me pareceram miragens, sombras que não pude Tocar ou Sentir…
…provavelmente nem sombra fui para os que estavam…
E assim, Senti este Embate da Vida, assistida somente pela absoluta Solidão e Dor incomensuráveis, que ofuscaram qualquer mesquinhez desta minha “vidinha”.
Manela

Depois... - 09/07/09


…a seguir a um estado de euforia emocional e afectiva, de um viver de sensações intensas (sem dúvida), mas solitárias e de tal forma complexas, impregnadas de questionamentos, incertezas, por não se sentir qualquer resposta… surge um fosso que enche a alma de profunda tristeza, desespero, angústia… um sentir de se estar perdido e Só, mesmo tão perto do objecto desse afecto.
Nestes momentos, sentimentos controversos, provocados por esse estado, levam-nos a reacções idiotas e absurdas, que não entendemos… como se não nos pertencessem. Como uma fúria voraz que nos consome e arrasta para lugares obscuros, repletos de intensa angústia espiritual. Aí sentimos que não somos donos de nós.
Existe, sem dúvida, algo superior que nos suplanta e rege.
Depois…é uma condição inequívoca do Agora. O último, podemos conhecer. O primeiro é futuro e incógnita.
A minha constante e presente insegurança é, certamente, impedimento de Viver e consequentemente de Acreditar no sonho que desejo seja real.
Manela

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Acredito - 07/07/09


Acredito na força da vontade, do nosso querer.
Coincidências?
Escolho chamar às “oferendas” que a Vida lá se lembra de nos dar, de longe em longe, (frequentemente quando mais precisamos), de “Momentos” já marcados, no nosso caminho, para serem vividos.
Acredito que, na noite mais escura existe sempre uma luz, por mais ténue que seja. Cabe a nós Vê-la, assim como cabe também a nós Vêr o nosso “ Caminho”.
Acredito no que sinto e absorvo do que me rodeia, pelas vibrações do meu espírito.
Acredito na felicidade, porque sei que depende de mim, permitir-me o direito de vivê-la.
Ao caminhar para ela, tropecei, recentemente, em “algo” que julgava não ter o privilégio de voltar a ver… não sei porquê, nem como, mas é real e existe em mim… apenas me recusava a Vêr.
Este meu “Caminho” não tem sido doce, levando-me muitas vezes a deixar de acreditar na sua importância e até mesmo desejar ver-lhe o fim…
Se hoje, agora, pudesse, se me permitisse, diria sim ao “algo”.
Desejo, com as forças que ainda me restam, Viver o que sinto.
Não quero continuar a dizer “Até já” à Vida, deixando que continue a passar a meu lado.
Desejo passar os sonhos “vivos” do meu mundo interior, para o meu mundo real... por saber que é no último, que reside a sua concretização, pela Vivência.
Manela

Fuga - 30/06/09

Podemos fugir, por algum tempo, da nossa verdade… mas fugir é, somente, adiar.
De quanto tempo dispomos para adiar?
Quanto a mim, o menor possível, isto se desejamos a Vida…
Possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de acção que se estende muito além dos limites que conhecemos.
Fugir?
Certamente não será o caminho que escolherei, por mais dolorosa que seja a Minha verdade…
Manela

Sentir - 29/06/09


Manter o sentir de Sentir a Vida,
é um sentir indispensável que alimenta o Existir.
Sempre existirá alguém que me faz falta…
…. as mais recentes, são as que sustentam a Vida,
por doer de uma dor boa de sentir.
Manela

Hoje - 04/06/09


Hoje, parece-me ter acordado de um longo estado de latência, coma profundo.
E neste acordar repentino, instalou-se uma tempestade feroz…o peito aperta e dói, o coração bate desenfreado.
Uma opressão explosiva de sensações e sentimentos que desejam sair deste corpo que os acorrenta. Quero libertá-los e não consigo.
Não consigo encontrar palavras para descrever o que estou a sentir e se existem, desconheço-as, rendo-me à minha ignorância.
Hoje, sinto-me pequenina. Um nada de um Todo.
Hoje, parece-me ter deixado de ser surda, de ter começado a ver.
Renasci ou perdi-me?
Tudo à minha volta tornou-se gigantesco, inalcançável.
Dentro de mim “Algo” implora para que o liberte.
Desejo fazê-lo, sinto o seu sofrimento, mas as correntes também me amarram e eu e o “Algo” pertencemos a uma amálgama de matéria sem possibilidade aparente de fuga…
Manela