quinta-feira, 27 de agosto de 2009

INTERROGAÇÃO

INTERROGAÇÃO

Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-se roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde eu vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!

Florbela Espanca

6 comentários:

  1. Florbela Espanca...
    por tantos incompreendida, por tão poucos sofrida...
    E o quanto eu gosto sempre de lê-la...

    Beijinhos

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  2. ... e quanto eu amo o Seu Sentir... quantas vezes tão perto do meu...

    Beijinhos

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  3. Ola!
    Obrigada pelo comentário.
    Ultimamente não tenho tempo para deixar fluir o que me vai na alma...
    Já tenho saudades de o fazer, no entanto, infelizmente, as obrigações profissionais preenchem o pouco tempo que dispunha.

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  4. Florbela é uma escritora invejável.
    O seu estilo é cheio de verdades, as mágoas são exposta sem vergonha de mostrar a dor de quam ama o incerto.

    Bjs minha linda

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  5. Olá!
    Concordo plenamente com o seu comentário. Florbela Espanca é, sem sombra de dúvida, admirável!
    Bem vinda eu meu refugio.
    Obrigada.

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